05.09.2025

Vivemos em uma época que glorifica o bem-estar. Vemos isso nas redes sociais, em campanhas publicitárias, em discursos motivacionais: cuidar de si mesmo é o novo mantra. Mas por trás dessa aparente universalidade, esconde-se uma pergunta desconfortável que merece ser explorada com calma: o autocuidado é realmente acessível para todos, ou se tornou um privilégio reservado àqueles que têm tempo, recursos e espaço mental para se priorizar?

O autocuidado, entendido como o conjunto de práticas que favorecem a saúde física, emocional e mental, deveria ser um direito. No entanto, na prática, muitas pessoas não podem exercê-lo. Jornadas de trabalho extensas, precariedade econômica, responsabilidades familiares sobrecarregadas ou ambientes sociais pouco seguros fazem com que cuidar de si mesmo não seja uma opção real para todos. Dizer “cuide-se” soa bem, mas pode ser uma frase vazia se não for acompanhada por condições que o tornem possível.

Cuidar-se não é o mesmo que poder cuidar-se

A cultura do bem-estar foi colonizada pelo mercado. Hoje, o autocuidado está associado a produtos, serviços e experiências que requerem investimento: apps de meditação, suplementos nutricionais, retiros de yoga, cosmética funcional, alimentação orgânica… Tudo isso pode ser valioso, mas também excludente. Quando o bem-estar se torna consumo, corre-se o risco de que apenas uns poucos possam acessá-lo.

Além disso, existe uma pressão social que transforma o autocuidado em uma obrigação moral. Se você não cuida de si, se não faz exercício, se não medita, se não come bem, parece que está falhando. Essa narrativa culpa aqueles que não conseguem manter rotinas ideais, sem levar em conta que o contexto importa. Não é o mesmo cuidar-se a partir da abundância que fazê-lo a partir da sobrevivência.

O autocuidado como ato ético e político

A escritora Audre Lorde expressou isso com contundência: “Cuidar de mim mesmo não é autoindulgência, é autopreservação, e isso é um ato de luta política”. Para muitas pessoas — mulheres, pessoas racializadas, cuidadoras, corpos não normativos — o autocuidado é uma forma de resistência diante de um sistema que não as cuida. Nesse sentido, cuidar-se não é desconectar-se do mundo, mas encontrar formas de continuar existindo nele sem desaparecer no intento.

Desde essa perspectiva, o autocuidado não é um gesto individualista, mas uma prática ética que reconhece a interdependência. Cuidar-se para poder cuidar. Descansar para poder sustentar. Colocar limites para poder estar presente. Essa visão desafia a ideia de que o bem-estar é uma recompensa por ter rendido o suficiente, e o coloca como uma necessidade humana que merece ser protegida.

Como construir uma ética do bem-estar inclusiva?

Reconhecer o autocuidado como direito implica transformar o entorno. Criar espaços acessíveis, garantir serviços de saúde mental, promover o descanso como valor, tornar visível o trabalho de cuidado e fomentar uma cultura que legitime o bem-estar sem estigmas. Também implica revisar nossas próprias práticas: como falamos do autocuidado?, quem excluímos quando o idealizamos?, quais modelos promovemos?

Os balneários Caldaria, por exemplo, podem ser parte dessa transformação. Não apenas como espaços de descanso, mas como lugares que promovem o bem-estar a partir da inclusão, da escuta e do respeito. Oferecer experiências adaptadas, acessíveis e emocionalmente seguras é uma forma concreta de fazer do autocuidado uma possibilidade para mais pessoas.

A ética do bem-estar nos convida a repensar o autocuidado como algo mais que uma rotina pessoal. É uma prática que deveria estar ao alcance de todos, independentemente de sua situação econômica, laboral ou social. Porque cuidar de si não é um capricho, nem uma moda, nem uma recompensa por ter rendido. É uma forma de estar no mundo com dignidade, consciência e conexão.

Desde a HDOSO, convidamos você a reivindicar o autocuidado como direito, a questionar as narrativas que o transformam em privilégio e a descobrir no Caldaria um lugar onde cuidar-se não é uma obrigação nem um luxo, mas uma experiência compartilhada que transforma.